Capelas






Capela de Santana
Histórico
A capelinha é uma das três que foram construídas no início da fundação de Ouro Preto. Está no ambiente pedregoso e de duro acesso do Morro da Queimada, em meio às ruínas das casas dos Paulistas. Ali ergueu-se o primeiro arraial contemporâneo do Padre João Faria Fialho. Em 1720, por ocasião do incêndio ordenado pelo Conde de Assumar, ela já existia e até hoje se tem conservado, apesar do abandono a que foi relegada. 
Descrição
Construída em pedra do Cocar, tem corredores laterais à nave e campanário separado com telhado em pirâmide simples, frontispício de portada e duas janelas; vergas retas e enquadramentos de madeira; óculo acima da porta. Cobertura em duas águas e cruz na cumeeira. Altar-mor de tábuas lisas e o retábulo com duas colunas toscas. Os altares lateriais, de época posterior, já apresentam exemplares antigos das primeiras obras de talha, representativos da primeira época.
Localização: Morro da Queimada - Arredores de Ouro Preto.
Data da construção: Antes de 1720.
Autor do projeto: *
Proprietário: Arquidiocese de Mariana.
Tombamento: Processo nº 410-T, Inscrição nº 342, Livro Belas-Artes, fls. 71. Data: 06.XII.1949.
Finalidade atual: Culto religioso.
Capela de São João
Histórico
Na madrugada de 24 de junho de 1698, quando a bandeira de Antônio Dias e Padre João Faria Fialho, viu iluminar-se, com os primeiros raios do sol, o Pico do Itacolomi, o ouro negro tão procurado tinha sido, por fim, encontrado. Do acampamento às margens do riacho Tripui, de onde sairia um fabuloso tesouro, a bandeira caminhou e fixou-se num ponto em que começaria a construção de um arraial primitivo. O primeiro cuidado foi a ereção da capela, que foi dedicada a São João Batista, em homenagem ao santo do dia. A documentação desta capela foi recolhida ao Arquivo Público Mineiro e fala de uma reconstrução feita em 1743 no local da capela primitiva, mas é provável que os elementos básicos tenham sido conservados, e que se trate apenas de uma reforma. A capela de São João Batista de Ouro Fino, como era chamada, construída logo no início do povoado apresenta alguns elementos formais arcaicos, como as vergas retas, como veremos a seguir.
Descrição                  
O historiador Salomão Vasconcelos a descreve com ternura: "é uma capelinha simples e bonita, situada em fragas poéticas, de onde se descortina o mais belo panorama, com a Serra do Itacolomi ao fundo". Em verdade está situada no ponto mais alto a que se chega, na serra, atravessando as ruínas calcinadas da Queimada, e subindo a encosta íngreme, que deixa o visitante ofegante, mas empolgado pela sugestão dramática do local, Construída em canga, o minério esponjoso de ferro, na capela ouro-pretana ressurge o tipo das capelas rurais do Norte de Portugal, com a sacristia sob forma de puxado, anexo à nave. A fachada plana e despojada, com o portal de madeira e as duas janelas rasgadas ao coro e o óculo redondo central; os dois cunhais de cantaria encimados por coruchéus simples. O telhado em duas águas, muro baixo de pedra, rebocado; uma sineira baixa, rústica, pegada ao cunhai da esquerda. A nave apresenta a singularidade de um encurvamento convergente das paredes, interrompido pelo arco-cruzeiro. É de ser destacada a porta de entrada, magnífico trabalho de carpintaria. O piso da nave é o primitivo, em tijoleira, e o único altar, na capela-mor, é de extrema singeleza, em arquivoltas. Há notícias de um esplêndido crucifixo de marfim, trabalho europeu, quiçá italiano, e que teria sido doado por um dos Visitadores Ordinários do Rio de Janeiro, pouco depois da construção da capela. Essa peça de alto valor foi recolhida ao Arcebispado por ordem do Arcebispo Dom Helvécio Gomes de Oliveira.
Localização: Morro da Queimada, arredores de Ouro Preto.
Data da construção: Início do século XVIII.
Autor do projeto: *
Proprietário: Arquidiocese de Mariana.
Tombamento: Processo nº 75-T, Inscrição nº 250, Livro Belas-Artes, fls. 43. Data: 08.IX.1939.
Finalidade atual: Culto religioso.
Capela de São Sebastião
Histórico
Há pouca documentação sobre a construção dessa capela. Suas características e proporções indicam, entretanto, obra dos meados do século XVIII. Há algumas informações quanto a obras e reparos, feitos em 1837. A pintura interna data de 1886 e a instalação do altar-mor em 1898. A data de 1724, assinalada pelo Cônego Trindade como sendo da construção da igreja, que denomina São Sebastião do Ouro Podre é alterada para 1776, "quando se mudou para o morro", o que indica uma reconstrução em outro lugar. O problema não é, pois, claro, mas o fato é que a capela permanece no morro, e com o caráter de uma obra do início do século.
Descrição
O frontispício é liso e simples, apenas com a portada de verga curva, pequena cimalha e porta almofadada; sobre a porta, óculo oitavado. Nos ângulos, os cunhais de pedra com capitéis moldurados, e no respectivo eixo, dois coruchéus. No alto da empena, coberta com telhas de topo, uma cruz. Externamente, do lado direito, há uma torre sineira, baixa, com sino antigo. O telhado em duas águas é prolongado lateralmente sobre a sacristia, do lado direito. Internamente o piso em tábuas na nave e o forro agamelado, em três planos. Os altares laterais são de talha simples, com colunas torsas e o altar-mor, mais importante, termina no alto do arco do retábulo, com o forro em três planos, com figuras de anjos. O arco-cruzeiro tem ao alto uma larga tarja. O trono do altar-mor em degraus e o fundo do nicho também com pinturas de anjos. Balaustrada separatória da nave, com balaústres torneados.
Localização: Morro de São Sebastião, Arredores da cidade.
Data da construção: Século XVIII. 
Autor do projeto: * 
Proprietário: Arquidiocese de Mariana.
Tombamento: Processo nº 75-T, Inscrição nº 252, Livro Belas-Artes, fls. 43. Data: 08.IX.1939.
Finalidade atual: Culto religioso.

Capela do Bom Jesus das Flores do Taquaral
Histórico
Os primeiros anos da instalação dos arraiais em Ouro Preto, ligados diretamente aos achados de ouro, determinou a formação de núcleos isolados, separados uns dos outros. Uma das primeiras preocupações dos homens que iam chegando era a construção de capelas, de tal sorte a religião ocupava um lugar preponderante na alma daqueles aventureiros. O núcleo de população chamado "o Taquaral", hoje quase desaparecido, teve sua capela erigida por provisão em 1748, como nos informa o Cônego Raimundo Trindade. O Taquaral ficava na regiâo situada no "morro trágico", de Ouro Preto, onde ainda se vêem os restos calcinados do arraial dos Paulistas, o "Morro da Queimada". Quando a capela começou a proporcionar a assistência, entretanto, foi antes daquela data, e como quase sempre acontecia, na primeira construção de taipa. A destruição do arraial de Pascoal da Silva, a execução de Filipe dos Santos passaram-se em 1720, 28 anos antes da consagração da capela de pedra, feita em substituição a de taipa. Aliás a primitiva denominação da capela foi sob a invocação de Nossa Senhora do Pilar do Taquaral. A alteração do nome para Bom Jesus das Flores só ocorre a partir de 1855. Até esse ano, no qual se realizou a visita do Presidente da Província, o velho nome prevalecia.
Descrição
A capela do Taquaral obedece ao mesmo tipo que encontramos nas capelas de Nossa Senhora da Piedade e de São Sebastião. Reedificada em pedra, é muito provável que tenha sido obedecido o partido de composição primitivo. Dentro desse plano tradicional, encontramos: a nave, a capela-mor e a sacristia lateral. O frontispício é simples; portada e duas janelas rasgadas ao nível do coro, com guarda-corpos de balaústres. A portada de cantaria tem uma bela porta almofadada; acima da portada uma ornamentação constando de moldura semicircular e escudo, em massa. Na empena óculo envidraçado. No alto da empena, sobre a cumeeira, a cruz sobre pedestal. Dos dois lados, na prumada dos cunhais há dois arcos redondos, vazados, que são as sineiras. Lateralmente há uma porta, que dá acesso à nave. No interior encontram-se duas pias de cantaria e uma pequena, na capela-mor em pedra-sabão. O púlpito apóia-se numa peça de cantaria sobre a qual está o balcão do púlpito, propriamente dito, executado em madeira. O altar-mor é entalhado e pintado. O do Evangelho é dedicado a Nossa Senhora das Dores com volutas simples, nichos e camarim; as peanhas onde se apóiam as ninfas são douradas, O altar do lado da Epístola é o de Santo Antônio, também entalhado. Merecem menção especial, pela circunstância de remontar, possivelmente, aos meados do século XVIII, as pinturas dos forros; esse trabalho sofreu repintura por volta de 1930. Em 1977 a Capela encontrava-se em completo abandono, e a Prefeitura Municipal de Ouro Preto promoveu um trabalho de restauração da cobertura. Nessa ocasião foi constatado o trabalho de repintura, e procedido então à sua remoção para restituição de obra original. As imagens, do século XVIII, que se achavam na Capela foram recolhidas ao Museu do Aleijadinho, na Matriz de Antônio Dias. São imagens do Bom Jesus, de Sant'Ana, Nossa Senhora das Dores e Santo Antônio. Em fevereiro de 1979, através do Programa de Obras Urgentes, e com recursos estaduais e da SPHAN-Pró-Memória, foram continuados os trabalhos de restauração pelo IEPHA-MG. Esses trabalhos alcançaram principalmente toda a parte de madeiras (soalhos, forros, esquadrias). As tábuas do forro foram desmontadas e restaurada a pintura original com o medalhão de Nossa Senhora da Conceição. No forro da capela-mor, debaixo da repintura de um crucifixo, encontrou-se a imagem de Nossa Senhora do Pilar. O trabalho resultou muito bem-sucedido, entre os muitos realizados em Minas pelos serviços federais e estaduais.
Localização: Taquaral, Freguesia de Antônio Dias.
Data da construção: 1748.
Autor do projeto: *
Proprietário: Arquidiocese de Mariana.
Tombamento: Processo nº 75-T, Inscrição nº 253, Livro Belas-Artes, fls. 44. Data: 08.IX.1939.
Finalidade atual: Culto religioso.

Capela do Senhor Bom Jesus do Bonfim
Histórico
Esta pequena capela, além da devoção popular desempenhava também uma função sinistra: aos condenados à morte pela forca era permitido ali assistir a missa, antes de subir ao cadafalso. Assim é que, segundo a tradição, Filipe dos Santos assistiu a missa antes de morrer no patíbulo e ter o corpo esquartejado e seus restos sangrentos arrastados através dos bairros de Ouro Preto, por cavalo bravio. Há também quem afirme versão diferente: teria sido julgado nessa capela, o que parece menos possível. Existe um desenho antigo representando a capela com características diferentes das atuais inclusive uma sineira dupla externa. É seguro que tenha sido feita uma reforma que modificou totalmente o aspecto primitivo. O Cônego Raimundo Trindade menciona as datas de 1776 para a construção e 1782, quando a capela foi reconstruída e aumentada. Por enquanto persiste a dúvida.
Descrição
A fachada, em seu estado atual, apresenta três portas, sendo a central alta, em arco de volta completa e as laterais, muito baixas, em verga reta. A empena é formada por duas enormes volutas, em curva e contracurva, terminando em dois pequenos pináculos e uma haste de ferro que coincide com o mesmo detalhe do desenho antigo - com esfera armilar, galo, coroa e cruz. No interior, o arco-cruzeiro simples de madeira, abre para o altar-mor, de carpintaria simples também. No arco central, o grande crucifixo do Senhor do Bonfim.
Localização: Rua da Glória.
Data da construção: Início do século XVIII.
Autor do projeto: *
Proprietário: Arquidiocese de Mariana.
Tombamento: Processo nº 75-T, Inscrição nº 255, Livro Belas-Artes, fls. 44. Data: 08.IX.1939. 
Finalidade atual: Culto religioso.
Capela de Nossa Senhora do Rosário

Histórico

O nome da Capela do Padre Faria, pelo qual esta capela é chamada, não corresponde à verdade. O Padre João de Faria de Fialho não foi, com efeito, o construtor deste templo, fundado, segundo a tradição, para abrigar a imagem de Nossa Senhora do Parto, que se encontrava numa pequena capela no primitivo acampamento de Bom Sucesso, e que foi profanada pelo assassinato de um padre que rezava missa. Em 1740, abrigou a Confraria dos Brancos do Rosário, expulsa da grande Irmandade do Rosário pela maioria dos pretos. Estes, por sua vez, construíram a igreja de Santa Efigênia. Embora não haja documento algum sobre a fundação, há duas datas: uma, 1750 gravada no sino, e outra, 1758 na grande cruz pontifícial externa à capela.

Descrição

Engastada em pequena elevação dentro de um grande vale, a situação dessa capela valoriza a sua elegante simplicidade. Formando um primeiro plano com o acesso ao pequeno adro, uma grande cruz papal ou pontificial, de três braços, esculpida em arenito e com a data 1756 gravada; ergue-se ao lado dos degraus rústicos. O frontispício é liso e simples, dentro do esquema usual das capelas mineiras: portada e duas janelas laterais rasgadas, com balaustradas. Não se conhece explicação para a origem da cruz papal nesta capela. Há ainda externamente uma pequena torre sineira, e um sino de bronze, com a imagem de Nossa Senhora do Rosário e a data 1750; essa torre é coberta com telhado em pirâmide galbada. Voltando à capela, é construída em alvenaria de pedra, com elementos de cantaria, como a portada, encimada por cimalha rica e com porta almofadada; as duas janelas enquadradas de cantaria, com pequena cimalha, óculo circular na empena e cunhais de cantaria com coruchéus. A cobertura é em telhado de duas águas e no vértice da empena, há uma cruz de pedra sobre pequena base. O interior apresenta dois esplêndidos altares e retábulos dourados, de estilo Dom João V, na nave, cujo teto é decorado com uma pintura representando a coroação da Virgem, cercada pelos anjos e nos quatro painéis da parede cenas da vida de Maria. Diogo de Vasconcellos, no seu estilo florido, nos descreveu em 1911 a capela-mor: "Não é mentira dizer que o altar-mor desta capela, é a jóia mais rica da cidade, para não me levarem em conta do exagerado, compará-lo a uma chapa de ouro aberta por anjos em maravilhas de talha". (Diogo de Vasconcellos. A Arte em Ouro Preto, Edições da Academia Mineira, 1934). O autor continua, dando uma longa e entusiástica descrição da capela, e também propondo uma explicação para a cruz pontifícial externa. O papa que reinava no momento, era Pio VI, que concedeu através de três bulas, privilégios e graças especiais à capela, o que faz crer que o cruzeiro tenha sido erguido para comemorar essa grande distinção. A peça aliás é de uma execução perfeita: da base ao topo da haste principal mede 8,52m de altura, e todos os trabalhos de talha e encaixes são impecáveis. Há mais de dois séculos lá se mantém até hoje.

Capela de Nossa Senhora do Rosário, Ouro Preto, MG
Localização: Bairro de Antônio Dias ou do Padre Faria.
Data da construção: Início do século XVIII.
Autor do projeto: *
Proprietário: Arquidiocese de Mariana.
Tombamento: Processo nº 75-T, Inscrição 249, Livro Belas-Artes, fls. 43. Data: 08.IX.1939.
Finalidade atual: Culto religioso.

A fonte de onde foram retiradas essas informações foi o "Guia de Bens Tombados de Minas Gerais - 1984"

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