Igreja
de Nossa Senhora das Mercês e Misericórdia
Histórico
Fundada
na metade do século XVIII, a confraria de Nossa Senhora das Mercês e
Misericórdia do Bairro de Ouro Preto, funcionou durante 20 anos na igreja de
São José. Em 1771 resolveu construir sua capela própria. A obra foi arrematada
por Henrique Gomes de Brito, mestre pedreiro, natural da cidade do Porto que
trabalhou em diversas obras de Ouro Preto. A 1º de janeiro de 1773 uma parte da
igreja foi inaugurada, e com o passar do tempo diversos pagamentos foram feitos
a outros empreiteiros. Em 1793, Manuel Francisco de Araújo assinou um recibo
"por meu trabalho de lhe fazer os riscos e condições para a fatura da obra
da capela". No mesmo ano Araújo contratou a execução de dois altares. Em
1810, o entalhador Manuel Gonçalves Bragança, pardo, executou o baixo-relevo da
Virgem da Misericórdia, sobre a portada. Esse baixo-relevo foi erradamente
atribuído a Aleijadinho. E, no início do século XIX, foi construído o
campanário da fachada.
Descrição
O
frontispício assinala uma nítida evolução para a linha clássica. É admissível a
hipótese de que o mestre Manuel Francisco de Araújo, provável autor do risco
dessa fachada, tenha seguido os padrões do fim do século. A frontaria é
dividida em três partes, por pilastras de traço clássico sobre pedestal de
pedra. Os entrecolúnios são iguais e o entablamento é interrompido na parte
central; o frontão é triangular, e no eixo das pilastras, cunhais, dois grandes
coruchéus. Na continuação do vão central, a torre sineira, coroada por pequena
cúpula bulbosa encimada pela cruz; no encontro da torre com as linhas do
frontão, há dois consolos de transição, óculo quadriloblado no centro do
frontão. A portada e as janelas laterais rasgadas com balcões de ferro têm
guarnições de pedra. Sobre a cimalha da portada está a escultura de Manuel
Gonçalves Bragança, que representa a Virgem das Mercês acolhendo dois
prisioneiros e grilhões dentro de cartela rococó cercada de concheados e
encimada por dois anjos que sustentam a coroa. A composição é complexa, mas a
execução é dura e magra, sem a maleabilidade das obras do Aleijadinho, a quem o
trabalho chegou a ser atribuído. Encontra-se aí presente a influência do
Mestre, muito visível nos dois anjos e na coroa, imitados da portada do Carmo
de Ouro Preto. Diz-se que a porta almofadada teria vindo da igreja de São
Francisco de Assis.
Localização: Rua
Padre Rolim, parte norte da cidade.
Data da construção: *
Autor do projeto: *
Proprietário: Arquidiocese de Mariana, administrada pela Irmandade das Mercês e Misericórdia.
Tombamento: Processo nº 75-T, Inscrição nº 243, Livro Belas-Artes, fls. 42. Data: 08. IX. 1939.
Finalidade atual: Culto religioso.
Data da construção: *
Autor do projeto: *
Proprietário: Arquidiocese de Mariana, administrada pela Irmandade das Mercês e Misericórdia.
Tombamento: Processo nº 75-T, Inscrição nº 243, Livro Belas-Artes, fls. 42. Data: 08. IX. 1939.
Finalidade atual: Culto religioso.
Igreja de Nossa Senhora das Mercês e Perdões
Histórico
A
Irmandade de Nossa Senhora das Mercês e Perdões instalou-se, em 1743, com o
nome de Irmandade de Nossa Senhora das Mercês dos Crioulos e Pretos, e ali
ficou até 1760, quando o Padre José Fernandes Leite vendeu aos Irmãos a capela
de Nosso Senhor Bom Jesus dos Perdões, na qual foram feitos consertos, e em
cujo consistório a Irmandade se reuniu em 1772. A primeira igreja de taipa foi
cercada por uma construção de pedra e cal. Há uma lenda curiosa, ligada a essa
igreja. Conta-se que um nobre paulista, de tradicional família e juiz em Ouro
Preto, por nome Antônio de Oliveira Leitão, cometeu um crime horrível,
apunhalando a própria filha, noiva, que suspeitou de infidelidade. Foi preso e
processado, e sua mulher, D. Branca, a infeliz mãe e esposa, teria recorrido ao
Bom Jesus dos Perdões, e erigido uma capela a essa devoção. Há uma parte de
verdade nessa lenda, e é confirmada pela carta do Conde de Assumar a Dom João
V, em que comunica a prisão do juiz Leitão, fazendo alusão ao fato. Esse
incidente foi motivo para toda uma literatura mais ou menos romanceada. Outras
datas são arroladas: em 1773 as obras foram concluídas; em 1775 e 1805 há
referências também a obras consideráveis e em 1890 foram introduzidas
alterações, não esclarecidas, no altar-mor. O povo passou a chamar a igreja de "Mercês
de baixo", para diferenciá-la da outra, Mercês e Misericórdia, denominada
"Mercês de cima".
Descrição
Aigreja
é um edifício com grossas paredes de pedra, com cunhais de cantaria. E situado
em bela situação, no alto de uma colina. Além dos cunhais há mais duas
pilastras, dividindo a fachada em três corpos. Na parte central a portada, com
cunhais, tela, acima do qual se abre o óculo quadrilobado, envidraçado. O
entablamento superior, à volta da igreja é encurvado, para conter o óculo e o
frontão é em curvas compostas, terminando numa base moldurada em que assenta a
cruz. Os corpos laterais contêm duas pequenas frestas na parte inferior, e ao
nível do coro as duas portas-janelas, com balcões e grades de ferro; são
terminadas por duas pequenas cimalhas. Acima do entablamento, duas torres
octogonais (com cantos chanfrados) e pequenas cúpulas de alvenaria, encimadas
por coruchéus. A composição da fachada revela a influência das igrejas,
construídas depois da década de 60, a feição do Carmo de Ouro Preto, entre
outras. O retábulo do altar-mor é simples, com arco duplo e tarja na parte
superior, com quatro colunas simples, de fuste liso, entre as quais ficam os
nichos e o trono. Há tribunas com grades simples, de madeira. Os altares
laterais são cobertos de dossel, com colunas torsas apoiadas em consolos. Os
púlpitos são semicirculares, com dossel reto, acessíveis por escada aberta na
espessura da parede. O coro tem grade de ferro, que deve ter substituído à
original, de madeira. À entrada um tapa-vento envidraçado. O arco-cruzeiro é
simples, encimado por uma tarja trabalhada. A igreja dispõe de boas alfaias e
objetos de ouro e prata, e o patrimônio da Irmandade é constituído, também, de
bens imóveis, na cidade, alguns em bom estado.
Localização: Rua
das Mercês, no bairro de Antônio Dias.
Data da construção: Século XVIII.
Autor do projeto: *
Data da construção: Século XVIII.
Autor do projeto: *
Proprietário: Arquidiocese
de Mariana, administrada pela Irmandade de Nossa Senhora das Mercês e
Perdões.
Tombamento: Processo nº 75-T, Inscrição nº 242, Livro Belas-Artes, fls. 42. Data: 09. IX. 1939.
Finalidade atual: Culto religioso
Tombamento: Processo nº 75-T, Inscrição nº 242, Livro Belas-Artes, fls. 42. Data: 09. IX. 1939.
Finalidade atual: Culto religioso
Igreja
de Nossa Senhora do Monte Carmelo
Histórico
PAINÉIS:
1. S. João da Cruz
3. São Pedro Thomas Arcebispo
5. Santa Ângela Terceira
7. Santa Maria Madalena de Pazes
9. Santo Elias no Deserto
2. S. Simão Stock
4. Santa Tereza de Jesus
6. Santo Alberto Patriarca de Jerusalém
10. Santo Elias Arrebatado
Composições enquadradas por emoldura mento concheado coroado de flores e remontado com urnas nas divisórias dos painéis. O desenho fraco e convencional marca o labor de alguma das oficinas conhecidas de Lisboa de cerca 1770-1780.
Descrição
A
igreja de Nossa Senhora do Carmo de Ouro Preto é uma das mais belas, mais
harmoniosas e mais requintadas igrejas, não apenas de Minas, mas de todo o
Brasil. Do estudo de Paulo Santos sobre a Arquitetura Religiosa em Ouro Preto -
definitivo e insubstituível, pela precisão dos levantamentos e justeza das
observações -, consta a planta da igreja do Carmo, por onde se vê a evolução da
fachada bombeada, ondulada a feição de uma cômoda barroca. Aqui a parte central
da fachada tem uma suave ondulação côncavo-convexa, com a convexidade no
portal. As torres, de leve curvatura, são retraídas do plano do corpo central
da fachada. Este é enquadrado pelas belas e robustas pilastras de cantaria, que
sobem até a arquitrave do entablamento que corre toda a volta do corpo da
igreja e é encurvado no centro da fachada, para conter o grande óculo, de
contorno movimentado. Esse motivo, que aparece aqui pela primeira vez,
inaugurando o ciclo do rococó e a era das elegâncias, vai desenvolver-se em São
João de Morro Grande, em São Francisco de Assis de Ouro Preto e em diversas
outras igrejas, seguidoras. A composição geral, que segue o partido
tradicional: portada - duas janelas-óculo, vai se tornar aqui, mais rica, mais
sutil e complexa. A esplêndida portada em pedra-sabão espraia-se em recortes
simétricos, como a experiência que os meninos fazem, de mancha de tinta no
papel dobrado. O desenho é livre e caprichoso, mas de uma perfeita imbricação e
solidariedade dos elementos, até a cartela da Ordem do Carmo, os dois anjos
alados sustentando a coroa. As duas janelas superiores são também de um desenho
elaborado, com a cimalha partida em três. Acima da arquitrave, o friso é
branco, o que alivia, visualmente, o peso do entablamento. A cornija é alta e
robusta e acompanha concentricamente, a curvatura acima do óculo. O frontão é
de justo peso, ocultando a estrutura do telhado de duas águas, marcado pelas
pilastras de cantaria, e com um gracioso desenho linear de cantaria, que
termina em duas volutas defrontadas; dois grandes consolos estabelecem a
concordância do frontão com o corpo das torres. Estas, com suas sineiras, são
vestidas pela cantaria vertical das pilastras e terminadas pelas cúpulas
campaniformes, encimadas por coruchéus pontudos. O grande frontão, entre as
torres, arremata-se horizontalmente, a guisa de uma pedra de altar sobre a qual
se dispõem a grande cruz com resplendor sobre peanha ladeada por dois pináculos
em forma de castiçal, cobertos por motivos estrelados. Internamente, a igreja
surpreende logo à entrada com os dois pilares torneados de cantaria e os dois
meios-pilares embutidos, que servem de apoio aos arcos do coro. José Pereira
Arouca foi consultado durante a obra, opinou sobre diversos pontos e deve-se a
ele a solução dos arcos de apoio do coro, sendo o central em forma de asa de
cesto. Encontram-se na nave os seis altares e retábulos. Estes - correspondem
ao período do fim do rococó, mais despojados, mas sempre com as duas colunas de
enquadramento, retas e caneladas, com enrolamento floral delicado e capitel
compósito. Os frontais de altar feitos pelo Aleijadinho, nos de Nossa Senhora
da Piedade e São João, correspondem, respectivamente, à Provação de Job e ao
martírio de Jeremias na prisão, este último posto no tronco, como qualquer
escravo negro. Esses medalhões ovais são pequenas obras-primas, talvez dentre
as últimas obras executadas pelo artista. São dramáticas, pelo planejamento
quebrado e a grafia torturada das figuras, especialmente Jeremias. No retábulo,
acima do nível da banqueta, os sacrários são igualmente notáveis, com os
medalhões ovais dos três Corações em chamas (Piedade) e do Cordeiro místico
(São João). Nos altares estão as imagens dos oragos, e no trono do camarim a
imagem do Cristo, numa das estações da Paixão, sempre inscrita na tarja
superior dos seis retábulos. O coroamento é feito por um curto guarda-pó entalhado.
Todos os altares são em branco e ouro, primorosamente trabalhados. A capela-mor
é precedida pelo arco-cruzeiro. Este possui uma peculiaridade, aliás,
encontrada em muitos outros monumentos: o friso bombeado entre a arquitrave e a
cornija do entablamento, que suporta o arco e se apóia na pilastra compósita.
Esse motivo, bastante usado na arte barroca, origina-se de Palladio, o grande
mestre do classicismo. O retábulo do altar-mor inscreve-se no semicírculo
formado pela abóbada do forro. A composição do retábulo comporta as quatro
colunas - com nichos intercalados - caneladas no terço superior e com estrias
onduladas no inferior; trono elevado, com a imagem da Padroeira. O trabalho de
talha, embora ainda repita os elementos do final do rococó, já está em fase
final, sem o "nervo", a "garra", dos do Aleijadinho. Os
painéis de azulejos, acima citados, revestem os lados da capela-mor. As paredes
laterais da capela-mor têm tribunas fechadas por balaustradas torneadas. Devem
ser mencionados os púlpitos, cujas bases esculpidas vêm fundir-se com as vergas
e sobrevergas ricas e movimentadas portas laterais. Resta falarmos da
sacristia, dos ricos elementos de mobiliário e decoração: a bela arca com
gavetas e credencias em jacarandá ricamente entalhado; os espelhos entalhados e
dourados; o suntuoso retábulo central; o grande lavabo e as esculturas em
pedra-sabão; os dois grandes bancos de jacarandá com o emblema da Ordem; o teto
moldurado, apanelado e pintado, com as cenas relativas aos Santos da Ordem: São
João da Cruz, Santa Teresa, Santo Alberto, Santa Madalena de Pazzi, e no
medalhão central, a Virgem, entregando o escapulário a São Simão Stock.Finalmente, resta mencionar o curioso cemitério, anexo à igreja, cuja construção foi começada em 1801 e terminada em 1861, com numerosas catacumbas. É uma testemunha melancólica do passado de luxo e grandeza de uma sociedade extremamente pia rica e devota e que assentava as bases de sua prosperidade num ouro obtido pelo trabalho escravo. "Síc transit..."
Localização: Antigo
morro de Santa Quitéria.
Data da construção: 1776.
Autor do projeto: Manuel Francisco Lisboa.
Proprietário: Arquidiocese de Mariana, administrada pela Venerável Ordem Terceira de Nossa Senhora do Monte do Carmo de Ouro Preto.
Tombamento: Processo nº 110-T, Inscrição nº 33, Livro Belas-Artes, fls. 7. Data: 20.1 V. 1938.
Finalidade atual: Culto religioso.
Data da construção: 1776.
Autor do projeto: Manuel Francisco Lisboa.
Proprietário: Arquidiocese de Mariana, administrada pela Venerável Ordem Terceira de Nossa Senhora do Monte do Carmo de Ouro Preto.
Tombamento: Processo nº 110-T, Inscrição nº 33, Livro Belas-Artes, fls. 7. Data: 20.1 V. 1938.
Finalidade atual: Culto religioso.
Igreja de Nossa Senhora do Rosário
dos Brancos
Histórico
Histórico
A
igreja do Rosário constitui um enigma, na arquitetura colonial, até hoje não
claramente resolvido. O seu traçado altamente erudito evoca as igrejas
germânicas do tipo da Vierzehenheiligen, de Balthasar Neumann, ou as da Escola
do Bregenzerwald e do lago de Constança, o Bodensee, parte suíço e parte
alemão. As plantas circulares, elípticas, poligonais, iniciadas por Borromini,
tiveram nos países germânicos desdobramentos notáveis e eruditos, não só na
obra-prima de Neumann, mas também na Áustria (a Karlskirche, de Fischer Von
Erlach), a Colegiada de Salzburgo, e tantas outras, que seria fastidioso enumeraram.
Em Portugal também encontramos exemplos: São Pedro dos Clérigos, no Porto, obra
de Nasoni e outros. Em Minas o exemplar mais importante é o Rosário de Ouro
Preto, cuja origem não é conhecida, nem mesmo o autor, pois pairam até hoje
dúvidas quanto á atribuição. Há também, contemporânea do Rosário, a igreja de
São Pedro, de Mariana, de autor igualmente incerto. No Rio havia a igreja, de
São Pedro, de planta circular, hoje demolida, e subsiste a pequena capela da
Lapa dos Mercadores e a linda igreja da Glória do Outeiro, embora poligonal. De
autores, nenhuma informação. Como teria chegado ao Brasil uma planta
sofisticada e erudita como a do Rosário de Ouro Preto? É uma pergunta até hoje
sem resposta. Essa igreja, em planta, na estrutura da composição, organiza-se
em três ovais intersecantes. Determinando problemas complexos de encontro de
superfícies, que foram magistralmente resolvidos. É de assinalar, em
conseqüência, o magnífico espaço interior resultante. A investigação em torno
do autor do projeto baseia-se inicialmente na informação do 2º vereador da
Câmara de Mariana - escrita em 1790 -, o Capitão Joaquim José da Silva, que
consta do célebre texto de Rodrigo José Ferreira Bretas, fonte fidedigna, cujas
afirmações sempre foram confirmadas pela descoberta de documentos. Diz o
Vereador de Mariana que o autor do risco foi Antônio Pereira de Sousa
Calheiros, autor também do projeto de São Pedro de Mariana. Diogo de Vasconcellos
acrescentou a essa informação que o risco foi fornecido em 1785, sem contudo
citar a fonte. Rodrigo Melo Franco de Andrade comentou um documento encontrado
por Francisco Antônio Lopes, relativo a esta igreja. Era um recibo de pagamento
de 10 oitavas entregue ao tesoureiro da confraria por Manuel Francisco Araújo,
pelo risco da empena e do frontispício, em 1784. É necessário ressaltar que
este projeto se refere apenas à fachada. Não seria, o próprio templo, anterior?
Mas Rodrigo Melo Franco de Andrade afirma que: "este documento, como
outros relativos às despesas da Irmandade nos anos seguintes, impõem a
conclusão de que a edificação do tempo atual se realizou apenas a partir
daquele período". Finalmente, entre a publicação do livro de GermaninBazin,
"A Arquitetura Religiosa Barroca no Brasil" (edição francesa) e a
mais recente tradução para a língua portuguesa, da Editora Record aqui citada,
três documentos foram publicados no Volume III do Anuário do Museu da
Inconfidência. Um deles refere-se ao construtor José Pereira dos Santos, que
arrematara a obra da capela da Confraria do Rosário dos Pretos de Vila Rica e a
de São Pedro de Mariana, conforme declarou em seu testamento de 1762. O
contrato, foi na verdade firmado em 1763, assinado com José Pereira dos Santos
e mais doze fiadores. Esse número extraordinário de fiadores parece ter sido
necessário pelo estado precário de saúde do construtor. Esse, com efeito,
faleceu no ano seguinte. Ao que parece, a descoberta de novos documentos só tem
trazido mais obscuridade a um problema já de per si tão complicado. De qualquer
forma, o importante não é tanto a descoberta de um nome de autor, que pouco
acrescentaria ao valor da obra, senão o valor da obra em si própria, sua
extrema singularidade e originalidade, considerando as condições de tempo e
lugar em que ela foi criada. Talvez seja preferível que ela continue como está,
envolvida pela bruma do passado e pelo perfume do mistério. Lourival Gomes
Batista nos fala do aspecto social que teria motivado essa igreja, como forma
de afirmação do negro... também no Rosário de Ouro Preto sempre houve "seu
Rey e sua Rainha, ambos pretos de qualquer nação que seja", parece-nos que
assim se comprova a tese da função de afirmação social desempenhada pelas
igrejas e irmandades na civilização do povo. Pretos e brancos, no mundo
religioso, colocavam-se, como poderes soberanos vizinhos, em pé de igualdade.
Descrição
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Localização: Largo
do Rosário, antigo bairro Caquende.
Data da construção: 1785.
Autor do projeto: Antônio Pereira de Sousa Caldeiros.
Proprietário: Arquidiocese de Mariana, administrada pela Irmandade de Nossa Senhora do Rosário.
Tombamento: Processo nº 75-T, Inscrição nº 248, Livro Belas-Artes, fls. 43. Data: 08.IX.1939.
Finalidade atual: Culto religioso
Data da construção: 1785.
Autor do projeto: Antônio Pereira de Sousa Caldeiros.
Proprietário: Arquidiocese de Mariana, administrada pela Irmandade de Nossa Senhora do Rosário.
Tombamento: Processo nº 75-T, Inscrição nº 248, Livro Belas-Artes, fls. 43. Data: 08.IX.1939.
Finalidade atual: Culto religioso
Igreja de Senhor Bom Jesus de Matozinhos
Histórico
A
documentação desta igreja é pouca em informações, mas Salomão de Vasconcellos
estudou um dos livros da Irmandade, que trata da construção, que lança alguma
luz sobre um assunto pouco revelado. O principal interesse do monumento
concentra-se na fachada, e especialmente na portada de entrada, no nicho que se
lhe sobrepõe e na estátua do Arcanjo São Miguel. Rodrigo José Ferreira Bretas
menciona o Aleijadinho como o autor dessa portada magnífica. Quanto à
construção da igreja, pode ser comprovado que em 1778 já se trabalhava na
portada. Com efeito foram achadas anotações no livro da Irmandade, referentes à
preparação da pedra, lavrada para o frontispício, "lavrar a
cantaria", "preparar as pedras para o Oclo" (óculo), "as
janelas e a cruz". Isso significa que a obra já estava nessa data em franco
andamento, e os pagamentos foram feitos ao canteiro José Francisco. Outros
pagamentos foram feitos ao mestre de obras Francisco Rodrigues, por trabalhos
nas torres e rebocos. Germain Bazin acha que o frontispício original deve ter
sido alterado ou "remodelado" mais tarde, conservando a portada do
Aleijadinho. Essa é a peça capital de toda a obra.
Descrição
O
frontispício é simples, plano, de traço neoclássico, com as quatro pilastras do
costume, entablamento e duas torres, entre as quais insere-se um frontão
triangular com óculo circular envidraçado ao centro. Sobre ele ergue-se a cruz
de pedra. As duas torres com suas sineiras são encimadas por cúpulas bulbosas,
arrematadas por coruchéus, motivo esse barroco, que não deve ter sofrido
alteração. As duas janelas ao nível do coro são de verga curva, com pequena
cimalha e balaústres de pedra-sabão. Quanto à portada, executada em
pedra-sabão, é uma jóia de escultura, de rico desenho e execução, ombreiras
molduradas, verga de curva movimentada, com cabeças de serafins na chave e
ornatos conchoidais. De cada lado das ombreiras descem volutas, prolongadas
acima da cimalha por ornatos que fazem a ligação da base do painel retangular
onde estão representadas as almas do Purgatório; acima desse painel corre uma moldura
na qual se apóia o nicho semicircular. Toda a ornamentação do nicho é de um
rococó extremamente elegante, no qual os ornatos vão sucedendo-se, em ascensão
até a tarja final, ricamente esculpida. O fundo do nicho é um grande concheado
em três quartos de esfera. A figura do Arcanjo São Miguel sustenta a balança,
mas não traz espada. O seu movimento segue uma linha serpentina, em diagonal
dinâmica acentuada pelas asas, que parecem vibrar, enquanto a roupagem é
movimentada pelo vento, numa sugestão quase berniniana. Essa estátua é
incontestávelmente obra trabalhada pela mão do Aleijadinho, enquanto o
"Purgatório" deve ter sido execução de colaboradores. De qualquer
forma a portada da igreja de São Miguel e Almas é uma obra da maior importância
na arte de Minas do século XVIII.
Localização: Bairro
Cabeças.
Data da construção: Segunda metade do século XVIII.
Autor do projeto: *
Proprietário: Arquidiocese de Mariana.
Tombamento: Processo nº 75-T, Inscrição nº 245, Livro Belas-Artes, fls. 42. Data: 08. IX. 1939.
Finalidade atual: Culto religioso.
Data da construção: Segunda metade do século XVIII.
Autor do projeto: *
Proprietário: Arquidiocese de Mariana.
Tombamento: Processo nº 75-T, Inscrição nº 245, Livro Belas-Artes, fls. 42. Data: 08. IX. 1939.
Finalidade atual: Culto religioso.
Igreja
de Santa Efigênia
Histórico
As
irmandades do Rosário foram um dos refúgios dos negros escravos, que
encontravam na religião uma ilusão de liberdade, ao mesmo tempo que um conforto
para seus males e a esperança da vida eterna. Ao mesmo tempo, para os senhores
constituiu um meio seguro de acalmar o escravo, tirando-lhe qualquer valeidade
libertária, ao mesmo tempo que propondo a religião como alternativa
pacificadora. Por isso assistimos à construção de capelas da Irmandade do
Rosário dos Pretos simultaneamente com a ocupação do território pelos arraiais.
Os brancos podiam frequentar as capelas dos pretos, mas tão cedo tivessem
recursos, construíam sua própria igreja, à qual os negros não tinham acesso. Em
Ouro Preto, há duas igrejas do Rosário, situadas nos dois grandes bairros: a de
Antônio Dias e a de Ouro Preto. Assim como cada um tem sua igreja matriz, tem
também sua igreja dos pretos. E ainda, para complicar a segregação, os mulatos
ou mestiços - que não se consideravam negros e não conseguiam ser brancos -,
refugiavam-se nas Irmandades das Mercês. A atual igreja de Nossa Senhora do
Rosário, do Alto da Cruz do Padre Faria, também chamada de Santa Eugênia é a
segunda, construída em pedra, no local onde existiu a primitiva capela de taipa
dedicada a Santa Efigênia, princesa da Núbia e reuniu a Irmandade do Rosário
dos Pretos da Freguesia de Antônio Dias, fundada em 1717 na matriz de Nossa
Senhora da Conceição, da mesma Freguesia. Foi para ali levada pelo Padre
Bernardo Madeira, grande devoto de Nossa Senhora. Na capela em questão os
pretos permaneceram durante alguns anos, até que resolveram, em 1723, construir
a igreja definitiva, em alvenaria de pedra e cantaria do Itacolomi. Esta é a
igreja do famoso "Chico Rei", homem que na África era o soberano da
sua tribo, e foi capturado por negreiros, com sua família e quase todo seu
povo. Na travessia para o Brasil morreram sua mulher e quase todos os filhos,
restando apenas um. Ao chegar a Minas, Francisco que era um homem forte e
determinado, trabalhou duramente, e conseguiu amealhar um pecúlio, que lhe
permitiu liberar o filho. Juntos trabalharam mais ainda, até que o pai pudesse
tornar-se forro. Daí por diante foi mais fácil forrar um dos súditos, depois
outro e mais outro, até que se reconstituísse um núcleo de negros livres com o
que restou da antiga tribo. Com a corte formada, Chico voltou a ser o Rei, o
filho Príncipe, a mulher deste a Princesa, e a segunda mulher foi a Rainha.
Naquele tempo as minas de ouro eram ainda riquíssimas, e coube a Chico receber
a data de uma, que se revelou de uma abundância fantástica: a mina da
Encardideira. Outras haviam, na mesma área, riquíssimas como a do Ouro Podre,
assim chamada porque ao desmontar um barranco a picão, rolou enorme quantidade
de metal, em pó, em grãos em folhetos, em pepitas. Eram também opulentas as de
Tassaras, do Veloso, de Saragoça, dos Camargos, do Padre Faria. Num local não
identificado da mina de Chico-Rei, havia a Ponte da Encardideira e o Palácio
Velho da Encardideira: existia ainda, com esse nome, uma velha casa de taipa,
já com o revestimento descascado e por onde se via a "gaiola", ou
seja, as peças da estrutura amarrado com couro de boi ao invés de taquara. O rei
Chico restabeleceu danças e costumes africanos. Reviveu em Minas os dias
gloriosos da sua terra. Costumava assistir anualmente na sua igreja, à missa
cantada solene, após a qual, em companhia da Rainha, dos príncipes e toda a
corte, saía em cortejo, pelo arraial, com cetro e coroa, todos vestidos com
roupas vistosas e coloridas, acompanhado por cantos e instrumentos africanos.
Havia também a lavagem da carapinha das negras, que após a missa eram lavadas
nas pias de água benta da igreja com o pagamento de suas anuidades. A esse ouro
eram juntadas jóias: anéis, brincos, pulseiras, colares. Ao dia seguinte dessa
festa do "Reinado", a Rainha costumava visitar os presos da Cadeia,
aos quais levava presentes. Ela era seguida por grande séquito, desde o Alto da
Cruz. A música ia em frente, com os trombeteiros, os gaiteiros e os
charameleiros. Para desafogo da enorme escravaria oprimida, a tradição dessas
festas africanas, "Reinado" ou "Reisados", as
"Congadas" fixou-se entre a população negra mineira, e permitiu-lhe
transferir para os santos católicos o culto dos seus orixás primitivos, num
sincretismo suspeitosamente tolerado, em tempos coloniais. Quanto à construção
da igreja de Nossa Senhora do Rosário, a Irmandade devia ser economicamente
poderosa, pois em 1733 pagou a Antônio Coelho da Fonseca, por obras de pedra da
igreja, a quantia de 500$000, e no ano seguinte mais 850$000 "por conta da
nova igreja que está obrigado a fazer de acordo com a escritura". Entre
1743 e 1744 diversos pagamentos foram feitos, sendo o mais importante a Antônio
da Silva, "300 oitavas de feitio das grades, madeiras e assento". Em
1762 é feito um pagamento a Henrique Gomes, pedreiro "do conserto das
torres", e João da Rocha, também pedreiro, recebeu 22 oitavas e 3/4 por
trabalhos de cobertura. Ao que parece, a igreja deveria estar em vias de
conclusão, e já com o frontispício em acabamento, pois é nesse mesmo ano que a
Irmandade compra ao relojoeiro José da Costa Carneiro, o relógio da torre, por
290$000. Finalmente, em 1777 era feito aos pedreiros Domingos Moreira de
Oliveira e Miguel da Costa Peixoto mais um pagamento de 400 oitavas de ouro,
"das obras de pedra". A igreja tinha, com efeito, grandes obras de
pedra a realizar, inclusive a enorme escadaria que lhe dá acesso, o pavimento
do adro e muitos outros trabalhos. O mestre das obras reais Antônio Francisco
Lisboa também trabalhou na igreja, entre 1743/44, "ajustando obras da
capela", apontamento de portas, forros, grades, assentos, madeiras, junto
com Antônio Silva. Receberam vários pagamentos, o maior de 300 oitavas. Ainda
deve ter levado tempo para estar completamente terminada, pois a data gravada
na cruz acima do frontão é 1785.
Descrição
A
igreja de Santa Efigênia - chamêmo-la por seu nome popular - fica situada no
topo de uma colina e acessível por ladeira íngreme. A sua situação é belíssima,
abrange uma larga visão sobre a cidade, mas bastante afastada e na parte mais
antiga do velho bairro do Padre Faria. Ao chegar ao alto da ladeira, há que
subir 42 degraus de uma ampla escadaria de pedra em dois lances, fechada na
base por uma grade e portão relativamente recentes. A igreja está situada sobre
uma plataforma e tem um anexo, do lado esquerdo o portão do cemitério da
Irmandade, obra que deve ser um acréscimo do século XIX. O frontispício é
dividido em três corpos, sendo que o central é avançado e enquadrado por
cunhais com capitéis jônicos. Os corpos laterais das torres são prismáticos,
com os cantos arredondados, o que resulta numa solução curiosa: o canto curvo
convexo é mantido no encostar do plano da torre com o do corpo central. O
grande entablamento é de belo perfil e curvo no corpo central, abrigando o
óculo trilobado, em sua concavidade. A portada principal em verga reta, com
portal moldurado encimado por um frontão triangular partido e que faz corpo com
um nicho em arco redondo e terminado por duas volutas e um concheado. O
interior do nicho tem na parte superior um concheado; contém uma bela e
delicada imagem de Nossa Senhora do Rosário. A composição
portada-frontão-nicho-óculo é tumultuada, o que dá a impressão do nicho ter
sido resolvido posteriormente ao risco inicial. Termina o corpo central um
grande frontão, de curvas e contra-curvas, terminado por uma cruz finamente
trabalhada em pedra. As torres prolongam-se acima do entablamento, com sineiras
e sinos e terminada por cúpulas baixas e altos coruchéus. Cercada por um vasto
panorama, Santa Efigênia é vista de longe, uma pequena jóia branca dentro do
quadro dramático de Ouro Preto. Interiormente o coro, acima da entrada,
apóia-se num arco de madeira, moldurado, ao centro do qual há um tapa-vento de
boa marcenaria. A nave é ampla, coroada por grande entablamento o qual, na
parede do arco-cruzeiro, incurva-se por cima do arco. Este é moldurado, apoiado
sobre pilastras com capitéis compósitos. Há quatro altares e retábulos
entalhados, na nave, cujo forro de tábuas tem a forma de asa de cesto. Os
altares que ladeiam o arco-cruzeiro são ricos, movimentados, de um barroco opulento,
com motivos florais, consolos, concheados, duas colunas torsas suportando o
coroamento acima do qual há uma tarja trabalhada e coroa, ladeados por dois
anjos. Os outros dois inscrevem-se num retângulo externo, com cimalha, grande
tarja e coroa; encontram-se figuras de anjos de tamanhos diversos; abaixo da
cimalha, o grande arco principal cercado de ornamentação abriga o nicho,
estreitando-o com a abundância ornamental: colunas torsas, decoração floral;
são esses altares de época anterior aos outros dois. Diogo de Vasconcellos,
descreve o altar-mor da igreja divergindo de todos na cidade, "por não
estar ornado de colunas, nem de aves, senão de volutas e flores estilizadas, em
lugar daqueles tendo pilastras". Nas paredes laterais da capela-mor há
dois quadros de assunto religioso, com molduras de talha rica. Os púlpitos de
moldura entalhada do corpo da igreja, são em forma de urna. Semelhantes aos que
se encontram na Capela do Rosário do Padre Faria, assentados em bacias de
cantaria esculpida. Pela capela-mor tem-se acesso a dois corredores laterais,
que conduzem à sacristia. Nesta existe uma grande cômoda, com magníficas
ferragens. A igreja possui boas imagens antigas, algumas representando santos
pretos: Santa Efigênia, São Benedito, e outros, bem como a imagem primitiva de
Nossa Senhora do Rosário. Existem ainda boas alfaias e prataria antiga.
Localização: Bairro
de Santa Efigênia, no alto da ladeira do Vira-saia.
Data da construção: 19° Quartel do Século XVIII.
Autor do projeto: *
Proprietário: Arquidiocese de Mariana, administrada pela Irmandade de Nossa Senhora do Rosário.
Tombamento: Processo nº 75-T, Inscrição nº 241, Livro Belas-Artes, fls. 42. Data: 08.IX. 1939.
Finalidade atual: Culto religioso.
Data da construção: 19° Quartel do Século XVIII.
Autor do projeto: *
Proprietário: Arquidiocese de Mariana, administrada pela Irmandade de Nossa Senhora do Rosário.
Tombamento: Processo nº 75-T, Inscrição nº 241, Livro Belas-Artes, fls. 42. Data: 08.IX. 1939.
Finalidade atual: Culto religioso.
Igreja
de São Francisco de Assis
Histórico
Histórico
A igreja de São Francisco de Assis de Ouro Preto é uma verdadeira suma das artes, em Minas Gerais, no século XVIII: arquitetura e escultura do maior de todos os artistas brasileiros: Antônio Francisco Lisboa, chamado o Aleijadinho, e pintura, do mais importante pintor mineiro, Manuel da Costa Athaide. Como costuma ocorrer nas épocas de decadência ao fim de um período de esplendor e opulência, é precisamente aí que surgem as obras mais preciosas, mais requintadas, fruto de uma experiência acumulada. Assim aconteceu com essa igreja, a mais bela de Minas, na qual o Aleijadinho, em plena maturidade do seu gênio, pôde realizar um conjunto único de arquitetura, escultura arquitetônica, talha e ornamentação verdadeiramente excepcional. Acrescente-se a isso a pintura de Ataide, nos forros, imitação de azulejos. Pelo primeiro livro de Termos da Irmandade, sabe-se que a mesma foi fundada na Capela do Senhor Bom Jesus dos Perdões, a 9 de janeiro de 1746, presidida pelo Padre Doutor Felix Simões de Paiva, Capelão Fidalgo de Sua Majestade. Compareceram a essa reunião de fundação "para mais de 80 irmãos professos e noviços, aqueles apresentando patentes vindas do Reino". A Irmandade, composta, como se viu, por membros da nobreza e homens ricos de Vila Rica, prosperou rapidamente o que determinou sua mudança para a Matriz de Antônio Dias. Foi então deliberada a construção da Capela da Ordem, e pedida a licença para isso. Como demorasse a chegar essa licença, a Irmandade pôs mãos à obra, iniciada oficialmente em 1766. O terreno no qual se ergueu a capela pertencia ao Sargento-mor João de Siqueira o qual, tendo falecido, teve suas propriedades levadas à hasta pública. Assim foi que a Ordem arrematou o terreno pelo valor de 450$000. Muito se tem escrito, estudado e investigado, com respeito a esse monumento excepcional. Relegado ao esquecimento, junto com toda a arte que se produziu no Brasil, durante o período colonial, o barroco mineiro sofreu também da decadência das cidades do ouro. Os estudos dos visitantes estrangeiros que deixaram observações sobre o Brasil mostravam-se mais interessados nos aspectos etnológicos ou folclóricos. Homens de ciências naturais, como Agassiz, St. Hilaire pouca ou nenhuma atenção deram a uma arte que consideravam secundária, decadente, destituída de toda e qualquer originalidade. Enfim, abreviando, o século XIX não se interessou pelo período. Mergulho fundo no neoclássico, no neogótico, nas primeiras manifestações do ecletismo. É usual que as épocas de arte rejeitem seus antecedentes imediatos, e assim o século XX procedeu relativamente ao oitocentos. Em relação ao barroco mineiro, o testemunho básico é do contemporâneo da época áurea de Minas, o 2º Vereador da Comarca de Mariana, José Joaquim da Silva, recolhido por Rodrigo Bretas, já referido neste trabalho. Os documentos que poderiam compulsar, ou mesmo citar, desapareceram em grande parte. Mas em 1938, Rodrigo Mello Franco de Andrade - então Diretor do Departamento do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional, fundado em 1937 - conseguiu, através das investigações do Serviço por ele orientadas, especialmente por Manuel de Paiva, reunir uma farta documentação sobre a participação de Antônio Francisco Lisboa em obras que até então lhe eram atribuídas sem provas. Em resumo, há comprovação de autoria nas obras seguintes: Púlpitos (1772-73); Barrete da Capela-Mor (1773-74); Risco da Portada (1774-75); Risco da Tribuna do Altar-Mor (1778-79); Retábulo da Capela-Mor (1790-91); risco de dois altares colaterais, executados em 1829, depois da morte do artista, por Vicente Alvares da Costa. Falta aí o essencial: a prova de autoria do projeto da igreja. É irrisório verificar que existe o recibo de um pagamento de 7$200 feito a um certo André Benavides, por ter copiado "o risco da Capela". E nem uma palavra sobre o autor. Ora, a atribuição é antiga, expressa: do Vereador de Mariana, de Bretas, de Diogo de Vasconcellos, de Furtado de Menezes. Este último teria visto as plantas, como documento comprobatório, em 1911. De lá para cá, essas provas desapareceram. Por tal razão o trabalho de Rodrigo é uma das contribuições mais importantes para a historiografia brasileira, e assim permanece até hoje. O primeiro arrematante do grosso da obra de alvenaria foi o pedreiro e canteiro Domingos Moreira de Oliveira, em 1766. Em 1771 o grosso da obra deveria estar concluído, pois a capela foi benta nesse ano. Bento Luís e Henrique Gomes de Brito foram os arrematantes das abóbadas da capela-mor e corredores. Em 1773-74 foram pagos. Moreira de Oliveira é encarregado de outros serviços: em 1787 as torres estavam adiantadas; em 1794 Oliveira entrega o grosso da obra, sendo a aceitação feita pelos louvados Antônio Francisco Lisboa e José Pereira Arouca. A obra do frontispício e os trabalhos de escultura em geral: púlpitos, lavatório e a obra de talha na capela-mor e altares da nave, está discriminada em diversos pagamentos feitos a outros empreiteiros que não o Aleijadinho, pois as tarefas eram subdivididas, o que justifica a desigualdade na qualidade de execução. Por fim há que mencionar os trabalhos de pintura, feitos por Manuel da CostaAtaíde, entre 1801 e 1812: o maravilhoso forro da nave os painéis em imitação de azulejos, pintados sobre tábua.
Descrição
A
igreja situa-se numa elevação e possuía outrora uma escadaria que desapareceu
com o alteamento da pavimentação. Encontra-se ao fundo de um grande adro,
lajeado com grandes pedras. O partido tradicional "porta + duas
janelas", é mantido no corpo central plano, enquadrado por duas colunas
jônicas aneladas no terço inferior e apoiadas em pedestais-consolos. O portal é
uma obra-prima de beleza e elegância; tudo aqui está ordenado dentro de uma
aparente desordem. A multidão de figuras integra-se num suporte e num
enquadramento do primeiro medalhão de Nossa Senhora dos Anjos. Três cabeças de
serafins elevam-se, ritmadamente, no eixo, partindo do alto da verga do portal.
Os dois grandes anjos, um dos quais portador da cruz, os dois brasões: o da
Irmandade e o de Portugal. Enquadramento de asas e rocailles, criações como que
de organismos vivos, vegetais ou concheados multiformes, espraiando-se,
livremente, abrindo-se em fita caprichosa, solta e leva à volta do oval do
medalhão, e a coroa da Senhora dos Anjos, cuja ponta parece tocar a extremidade
do florão que retém o grande medalhão circular, o medalhão triunfal onde
aparece a Imposição dos Estigmas a São Francisco no Monte Alverne. O Cristo
aparece parcialmente entre nuvens e raios, debruçado sobre o Santo em êxtase,
com os braços em cruz. O modelado é poderoso e a capacidade de transfiguração
das formas que muda as flores em conchas e as ervas em chamas. A escultura é de
uma força extraordinária, apoiada no jogo de luz e sombra, e também no
contraste do cinza-azul-verde da pedra-sabão e os elementos de arenito, de um
fulvo dourado e ruivo como as cabeleiras das mulheres de Ticiano. Voltando à
fachada, apreciamos a justeza das proporções e a posição perfeita das janelas.
O entablamento acompanha as variações de superfície e de volume, abre-se,
escancarando a cornija em forma de S, prolongando-se em curva generosa, abrigo
do medalhão central, a bela forma circular, o tondo dos italianos da
Renascença, de Botticelli a Miguel-Angelo e Rafael. O círculo que marca o ponto
de convergências do máximo interesse e da projeção espiritual. Esse é o
frontão, suspenso visualmente pela ilusão da forma. Sobre a cornija redonda
levanta-se o grande pedestal da cruz de dois braços. Como no Carmo, como no
Rosário, o pedestal é composto como um altar, com a cruz com fogo nas pontas
dos braços e assentada entre duas chamas. Ê essa presença do fogo que
impressiona nessa fachada. O dinamismo das formas, parece fervilhar em
vôosflamíferos ou palpitar em labaredas. Após este grande plano agitado pelo
abrir de asas do frontão, uma curta ligação convexa conduz à rotundidade das
torres, grandes cilindros, encapuzados por cúpulas em taças invertidas baixas,
terminadas por longas e afiladas pirâmides. Nestas torres a disposição das
pilastras tem as diagonais em cruz, seguindo o ângulo reto do grande eixo e sua
perpendicular, o que resulta o aparecimento de duas sineiras ao observador que
contempla o conjunto. Logo à entrada, o espectador é empolgado pelo tratamento
espacial. O olhar é irresistivelmente atraído para o alto, para o forro onde
Manuel da Costa Ataide pintou, na sua maneira clara, o triunfo de Nossa
Senhora, dentro de um fundo luminoso, cercada de anjos músicos, numa orquestra
de cordas e percussão, com a figura central do Rei Davi. Os elementos de
arquitetura imaginária que servem de apoio à composição, e se liga a esta por
meio de rocailles são de um desenho fino e elegante. Aqui Ataide criou sua
obra-prima, com seu estilo tão popular, seus anjos mulatos e a própria mulatice
da Virgem. É a nota justa, que completa a longa nave e lhe dá, por teto, a
penetração ao infinito. A área ocupada pelo forro é a mesma do piso, retângulo
com cantos curvos, e a entrada é separada por arco de cantaria, sobre o qual se
desenvolve em curva graciosa a balaustrada do coro; esta é em madeira
recortada, de desenho original, em balaústres perfurados, ligados por elos
vazados. Os seis altares são desenhados segundo o modelo do fim do rococó,
pintados em branco e ouro. O arco-cruzeiro duplo é de desenho original, e
dentre as duas pilastras divergentes, encaixam-se os célebres púlpitos de
pedra-sabão: "Jesus na barca" e "Jonas atirado ao mar".
Lourival Gomes Machado desenvolveu uma ousada aproximação desses relevos com os
florentinos, de Lorenzo Ghiberti, da porta do Batistério. A capela-mor é obra
magistral coberta com abóbada de madeira, em forma de barrete, tendo nos cantos
quatro medalhões ovais (São Conrado, Santo Ivo, Santo Antônio e São
Boaventura), relevos encarnados que são da mão do Aleijadinho. A urna do altar
tem o frontal entalhado, com a cena das santas mulheres e o anjo, em ouro,
sobre fundo branco. A composição do conjunto altar-sacrário, retábulo, trono é
de desenho elegante e delicadíssimo; as colunas laterais esbeltas, com largas
caneluras ondulantes na base, encimadas por dois grandes serafins. O grande
arco, todo coberto de talha, com figuras e motivos diversos, é encimado por uma
longa tarja ricamente trabalhada. É extraordinária a riqueza e a finura dos
detalhes: nichos laterais de São Luís de França e Santa Isabel de Portugal, o
grande nicho central com a imagem de São Francisco, trono todo entalhado. É
preciso notar ainda um ponto originalíssimo: os azulejos "fintos",
numa imitação magnificamente executada por Manuel da Costa Ataide. São
policromos, com a cena central azul. São imitações de painéis da época Dom João
V, porém com uma gama de cores que nunca existiram no azulejo português, com
uns vermelhos de coral magníficos. As cenas representadas são as da vida de
Abraão. Esses azulejos estendem-se pela capela-mor, dos dois lados, até o
arco-cruzeiro. Saindo da capela-mor veremos, na sacristia, o belíssimo lavabo,
esplendidamente lavrado em pedra-sabão, obra da mão do Mestre. Ao sair da
igreja, do lado direito, encontra-se o velho cemitério da ordem, construído
posteriormente à igreja, mas historicamente interessante. Além dos túmulos do cemitério,
a própria igreja tem o soalho de campas, com as sepulturas de Henrique Gomes de
Brito, que trabalhou nas obras da igreja, João Gomes Batista, o abridor de
cunhos da Coroa, e o Padre Felix Antônio Lisboa, irmão do Aleijadinho.
Localização: Bairro de Antônio Dias.
Data da construção: 1766.
Autor do projeto: Antônio Francisco Lisboa o Aleijadinho.
Proprietário: Arquidiocese de Mariana.
Tombamento: Processo nº 111 -X, Inscrição nº 106, Livro Belas-Artes, fls. 19. Data: 04.VI. 1938.
Finalidade atual: Culto religioso
Data da construção: 1766.
Autor do projeto: Antônio Francisco Lisboa o Aleijadinho.
Proprietário: Arquidiocese de Mariana.
Tombamento: Processo nº 111 -X, Inscrição nº 106, Livro Belas-Artes, fls. 19. Data: 04.VI. 1938.
Finalidade atual: Culto religioso
Igreja São Francisco de Paula
A Congregação dos Fiéis do Patriarca São Francisco de Paula instalou-se na Igreja Matriz de Nossa Senhora da Conceição de Antônio Dias em 1780. Constituiu-se em 1782, com o nome de Venerável Ordem Terceira de São Francisco de Paula, e permaneceu na Matriz de Antônio Dias até 1790, quando passaram para a Ermida de Nossa Senhora da Piedade, ali permanecendo até 1800. Três anos mais tarde resolve a Irmandade construir sua própria igreja e, em 1804, é lançada a pedra fundamental. A construção é iniciada pelo projeto do Sargento-mor Francisco Machado da Cruz. Talvez por falta de recursos, a obra arrastou-se durante muitos anos. Há informação de que as fundações foram lançadas em terreno firme a grande profundidade. O fato é de que a primeira notícia que se conhece, em 1837, é a colocação do portão do cemitério, e em 1859 uma referência ao inicio do corpo da igreja. A obra vai continuar através do século, tanto que só em 1878 se dava por terminado o exterior do edifício. Por essa altura, a moda do neogótico já tinha aparecido em Minas, com as capelas do Colégio do Caraça e do Seminário de Diamantina. Há, no intervalo, a intervenção de um frei Francisco, do qual não se conhece o nome completo, que erigiu um cruzeiro e promoveu uma campanha para obtenção de fundos, visando o prosseguimento das obras. Curioso é que essa igreja, tendo sido iniciada em 1804, tenha sido continuada sempre pelo mesmo projeto, sem sofrer modificações sensíveis. Aproximadamente na mesma data já se fazia antever o neoclassicismo, na Bahia, com o edifício da Associação Comercial. Em seguida a instalação dos cursos oficiais de arte no Rio, com a Missão Francesa de 1816, e o neoclassicismo de Grand-jean de Montigny e seus alunos e, por fim, o surgimento do neogótico e do primeiro ecletismo. Tudo isso foi atravessado, impavidamente, pelos construtores de São Francisco de Paula, que levaram a obra até o começo do século XX, seguindo os padrões mineiros do fim do barroco e do rococó. O fato é que em 1908, restaurava-se a capela próxima ao cruzeiro, colocava-se a imagem de Nossa Senhora da Piedade e era concluída a douração dos altares laterais. Por fim, em 1948, o Patrimônio Histórico e Artístico Nacional, efetuou uma intervenção na igreja, que estava a exigir cuidados quanto à cobertura e início de ruína.
Descrição
A
igreja situa-se num dos pontos mais elevados de Ouro Preto, descortinando um
panorama em que se incluem alguns dos principais monumentos de Ouro Preto: a
igreja de São Francisco de Assis, o Museu da Inconfidência, a Igreja do Carmo,
o Palácio dos Governadores, hoje Escola de Minas, todo um pitoresco casario,
descendo até a Igreja Matriz do Pilar. E, ao fundo, o desenrolar das serranias,
dominado pelo pico do Itacolomi. Ao fim da estrada que dá acesso ao monumento,
encontra-se uma grande escadaria de pedra, com o primeiro lanço menor, grande e
largo patamar e o segundo lanço, com quatro figuras de cerâmica do Pato sobre
altos pedestais. O adro cerca a igreja com um muro de pedra, e à direita do
observador está o cemitério, com um belo portão, de ferro, com marco de
cantaria tendo a data 18S7; no alto do frontão, entre dois pequenos coruchéus,
uma cruz de pedra. Quanto à igreja, propriamente, a sua frontaria corresponde a
forma tradicional: corpo central e corpos laterais com as duas torres,
dividindo o plano da fachada pelos cunhais e pilastras. Um embasamento contínuo
de cantaria contorna todo o edifício. A portada, em arco de círculo tem uma
pequena cimalha e o conjunto é de cantaria; a porta é almofadada. Lateralmente,
ao nível do coro, as duas portas-janelas, com balcões de ferro, e ao centro o
óculo quadrilobado, envidraçado. O grande entablamento contorna o corpo da
igreja correspondente à nave, enquanto a capela-mor, sacristia, consistório são
em nível mais baixo e contornados por outro entablamento. Acima do entablamento
da fachada, encurvado sobre o óculo, levanta-se o frontão, com duas grandes
volutas, em S, que enquadram um motivo central, com pilastras, ornamentação e
base para a cruz. As torres são de planta octogonal, chanfradas nos cantos, com
as sineiras abertas em arco semicircular e encimadas por entablamento menor,
cúpula de alvenaria e coruchéu de cantaria. Na torre do lado esquerdo existe um
relógio circular. Interiormente o coro apóia-se em três arcos e é limitado por
uma grade de ferro. A nave é dotada de seis altares importantes, cujos
retábulos são dos tipos: os quatro externos iguais entre si e os dois centrais
do mesmo modelo; são dotados de colunas lisas, com enrolamento de folhagens, no
primeiro tipo, e colunas caneladas, com estrias curvas no terço inferior; são
todos executados em talha de boa qualidade, verificando-se, porém, uma execução
mais seca, sem o sentimento gracioso ou pujante das grandes obras do
setecentos. Ainda havia entalhadores em Ouro Preto, no século XIX, mas a época
áurea já estava encerrada. O mesmo pode ser dito do altar-mor, de boas
proporções e composição, bem enquadrado no arco da capela. As imagens são de boa
qualidade. As pinturas existentes no teto da capela-mor, representando cenas do
Novo Testamento, são de menor qualidade.
Localização: Noroeste
da cidade, no antigo morro da Piedade.
Data da construção: 1804-1898.
Autor do projeto: Sargento-mor Francisco Machado da Cruz.
Proprietário: Arquidiocese de Mariana, administrada pela Irmandade de São Francisco de Paula.
Tombamento: Processo nº 75-T, Inscrição nº 240, Livro Belas-Artes, fls. 41. Data: 08.IX.1939.
Finalidade atual: Culto religioso.
Data da construção: 1804-1898.
Autor do projeto: Sargento-mor Francisco Machado da Cruz.
Proprietário: Arquidiocese de Mariana, administrada pela Irmandade de São Francisco de Paula.
Tombamento: Processo nº 75-T, Inscrição nº 240, Livro Belas-Artes, fls. 41. Data: 08.IX.1939.
Finalidade atual: Culto religioso.
Igreja de São José
Histórico

A Irmandade do Patriarca São José foi fundada na Matriz de Nossa Senhora da Conceição, de Antônio Dias. Por provisão de Dom Frei Antônio de Guadalupe, foi confirmada em 1730, quando já possuía capela própria. Abrigou, então, a imagem do Senhor dos Passos, que teve de deixar a Matriz do Pilar, por motivo de obras. Em 1785 foram executadas obras no madeiramento da cobertura e muro de arrimo. Até o século XX a fachada permaneceu a mesma até que, em 1856, a Irmandade resolveu alterar a fachada. Foram trazidas do Itacolomi as pedras para os cunhais da torre, e os enquadramentos das janelas, e executado novo telhado. Por informação das notas de Augusto de Lima Jr. registradas pela SPHAN, existia no local da atual Capela uma outra "fabricada de madeira e barro", sustentada pelos homens pardos. Repete-se pois aqui o que sucedeu em muitas igrejas mineiras, visto que os Irmãos trataram de erigir nova capela em 1752. "Para isso, atendendo a sua pobreza, pediram licença por dez anos, para terem ermitão, esmolando por todas as minas" e, em Vila Rica, às quartas-feiras, um irmão com a imagem do padroeiro ao pescoço, a fim de tirar igualmente esmolas para a nova construção. Embora essa licença fosse pouco frutuosa, e o lucro delas não fosse embolsado "pela maior parte na Irmandade, mas nas pessoas que são dela", a licença foi concedida. Em 1770 a igreja, embora consagrada, ainda estava inacabada. Lima Jr. opina que a planta obedece ao barroco do Norte de Portugal, assinalando que a sua torre "caracteriza a passagem do Românico (?) para o Barroco primitivo português, com a balaustrada e os pinhões". É uma asserção um pouco nebulosa, que dá a entender que em Portugal houve um salto brusco do Românico para o Barroco, passando por cima do Gótico e do Renascimento, tese que é pelo menos fantasiosa. Uma informação recente da SPHAN, no boletim nº 23, esclarece que os Irmãos cogitaram da construção do novo templo em 1744, e em 1746 "o risco foi encomendado a Francisco Branco de Barros Barrigua". Barrigua ou Barriga era mestre entalhador e o contrato desse risco não está registrado no Dicionário de Judith Martins. Outras duas datas são citadas na mesma fonte: 1753, data do primeiro recibo do arrematante e 1761, visita canônica e bênção da igreja. Quanto à influência portuguesa, Lima Jr. tem efetivamente razão. Há um sabor luso nessa obra, nas proporções e pormenores. Quanto à singularidade do terraço sobre a entrada, é bem evidente que esse elemento foi acrescentado à fachada primitiva. A observação do excelente e preciso levantamento de Paulo F. Santos torna o acréscimo evidente.
Descrição
A
igreja está localizada num terrapleno artificial, contido por muros de pedra,
que já sofreram danos, em época remota, e que exigiram um trabalho de contenção
em concreto armado, com atirantamento e revestimento da pedra da região. Esse
trabalho foi feito pela SPHAN, em conseqüência do deslizamento de terras
ocasionado pelas fortes chuvas que castigaram Ouro Preto, em 1979, provocando a
destruição parcial do cemitério anexo à igreja, onde está enterrado o poeta
Bernardo Guimarães (1825-1884), poeta e romancista, autor de Poesias e da
Escrava Isaura. No estado atual a igreja de São José destaca-se dos demais
templos de Ouro Preto pela curiosidade do seu frontispício. Com efeito, o
acréscimo feito no século XIX, que exigiu o aumento da alvenaria em enorme e
despropositada espessura, trouxe a portada para a frente, sobre um plano, enquadrado
de pilastras de pedra e com cantos arredondados onde foram colocadas falsas
janelas. Sobre essa espécie de nartex existe um terraço, com balaustrada
barroca, de pedra-sabão. Sobre esse terraço avança o corpo da torre, com óculo
envidraçado, cujo traçado combina retas e curvas; acima do óculo situa-se um
relógio circular, contido pela curva do entablamento - simples perfil curvo ou
caveto, diferente do entablamento moldurado do corpo alto da igreja. A torre é
simples, quadrangular, com cantos curvos e sineiras altas; é curvada por uma
cúpula bulbosa enquadrada por quatro coruchéus, mas desprovida de arremate
final (coruchéu, pináculo ou grimpa), possivelmente desaparecido. O corpo
principal da fachada é recuado, rematado por dois cunhais, entablamento
moldurado, coruchéus piramidais e duas aletas em consolo invertido, molduradas
e cobertas de telhas e que ocultam a linha de topo da cobertura. Duas portas ao
nível do coro dão acesso ao terraço da frente. A nave apresenta quatro altares,
sendo dois de tabuado liso e dois de talha antiga, coroados por elemento
desgracioso em forma de magra sanefa triangular, elemento acrescentado
certamente pela falta de recursos e que deve datar do século XIX. Em
compensação a capela-mor, dotada de tribunas que tem a virtude de ter sido
projetada, em 1772, por Antônio Francisco Lisboa, o Aleijadinho. A traça do
altar é sumamente elegante, corresponde ao mesmo ano em que o mestre começa a
trabalhar na grande obra de São Francisco de Assis. Altar e retábulos são obras
de boa talha, com colunas lisas caneladas retas na parte superior e caneluras
sinuosas no terço inferior, sobre as quais nascem o entablamento principal e o
grande arco externo; suspenso a este há um panejamento em talha, pendente
também da sanefa central; o arco interno, entalhado, finalmente repousa sobre o
entablamento, que por sua vez apóia-se em pilastras formadas por volutas
sucessivas ornamentadas. O sacrário é igualmente esculpido e, por trás dele, os
degraus do trono, dentro do camarim. A capela possui alguma imaginária de boa
qualidade. Sacristia e consistório são simples. Fora da igreja e encostado à
sua direita, fica o cemitério, onde repousa o criador da figura romântica da
"Escrava Isaura".
Localização: Nordeste
da cidade.
Data da construção: 1730.
Autor do projeto: *
Proprietário: Arquidiocese de Mariana.
Tombamento: Processo nº 75-T, Inscrição nº 244, Livro Belas-Artes, fls. 42. Data: 08.IX.1939.
Finalidade atual: Culto religioso.
Data da construção: 1730.
Autor do projeto: *
Proprietário: Arquidiocese de Mariana.
Tombamento: Processo nº 75-T, Inscrição nº 244, Livro Belas-Artes, fls. 42. Data: 08.IX.1939.
Finalidade atual: Culto religioso.
Igreja Matriz de Nossa Senhora do
Pilar
Histórico
A construção da Igreja de Nossa Senhora do Pilar, Matriz do
bairro de Ouro Preto, foi iniciativa de duas Irmandades associadas: a do
Santíssimo Sacramento e a de Nossa Senhora do Pilar, fundadas no mesmo ano de
1729. Essas Irmandades, de homens brancos, eram ricas, e decidiram construir
sua igreja quase ao mesmo tempo que a outra Matriz, a de Vila Rica da Conceição
de Antônio Dias. A construção deve ter sido iniciada por volta de 1731, na base
de um risco de autoria não comprovada, mas que o 2º Vereador de Mariana José
Joaquim da Silva (Memória cit.) declarou ser do Sargento-mor Engenheiro Pedro
Gomes Chaves. Sabemos com segurança, que lhe deu o projeto da capela-mor, por
documento de 2 de agosto de 1741. A construção da igreja foi iniciada,
conservando-se a capela-mor da primeira construção de taipa. Em janeiro de
1731, o Corpo Santo foi transferido para a capela próxima, de Nossa Senhora do
Rosário. A obra deve ter-se adiantado bastante, pois em 1733 foi realizada a
trasladação do Santíssimo Sacramento, que saiu da Capela do Rosário para a nova
igreja. É possível que o corpo principal já estivesse talvez coberto, e a velha
capela-mor continuasse a ser utilizada para a celebração do Santo Ofício. A
procissão constituiu uma tal exibição de riqueza e prodigalidade, que marcou
época, na Memória das Minas. Simão Ferreira Machado, a pedido dos irmãos pretos
da Irmandade de Nossa Senhora do Rosário, escreveu uma pitoresca descrição,
muitas vezes citada. Entre outros esplendores - cavalos ajaezados de veludo,
com arreios e estribos de prata, cavaleiros em trajes suntuosos, cabeleiras
empoadas, plumas, veludos, cetins, bordados a ouro e prata, diamantes -, um dos
fidalgos do séquito que conduzia o Santíssimo, suntuosamente vestido, trazia à
mão, uma salva de ouro, a miniatura do Itacolomi, fundida e cinzelada em ouro
maciço. A Matriz do Pilar, como hoje a vemos, foi realizada em várias etapas.
Antônio Francisco Pombal, que muito provavelmente era irmão de Manuel Francisco
Lisboa - mau grado a diferença de nome, -, foi o arrematante, por 12.000
cruzados, da obra da capela-mor, incluindo o forro, a cimalha, o pé direito,
tudo "segundo o risco aprovado". Cinco anos mais tarde, em 1741,
Pedro Gomes Chaves apresenta um novo risco, que ampliava a capela-mor, importando
na perda de uma parte considerável já executada. Pombal arrematou essa
modificação, que incluía indenização, além do aumento resultante das
modificações. Ali trabalhou Pombal até 1744, quando se achou em má situação
financeira e foi levado à falência. Conseguiu passar a obra do Pilar para
Antônio dos Santos Portugal, encarregado de terminar as obras. Há um outro
contrato, em 1745, aparentemente menos importante, mas pelo qual se deduz que a
igreja seria elevada acima do nível atual: o mestre pedreiro José Pereira dos
Santos, encarregado do conserto da escada da porta principal "que desce
para a rua de baixo", e de uma outra, na porta travessa. Esse mestre
executou trabalhos importantes em Mariana, inclusive o projeto da Casa de
Câmara e Cadeia dessa cidade. Em 1759, um outro contrato com Pedro Corrêa
Alves, foi feito para conserto das duas torres de madeira, que pertenciam
provavelmente à primeira igreja. Finalmente, em 1825, com o Brasil já
independente, a fachada apresentava sinais de ruína, além de outros reparos
urgentes. Manuel Fernandes da Costa foi encarregado de administrar a obra
grossa, que acabou sendo contratada com José Veloso do Carmo, que ali trabalhou
de 1826 a 1828. Em 1847, voltou Fernandes da Costa, desta vez como executor do
frontispício. Este foi concluído em 1848, junto com a torre da epístola, e a
torre do evangelho ficou acabada em 1852. Por aí verifica-se como, até a metade
do século XIX, permanecia vivaz ainda a tradição do rococó. Enquanto no Rio
instalava-se o ensino acadêmico das artes, e florescia o neo-classicismo, Minas
continuava ainda fiel à estética setecentista. A igreja ficava assim com partes
da estrutura em alvenaria de pedra e outras em madeira e taipa. Mas é preciso
considerar que o monumento contém em si próprio uma contradição: a nave não
corresponde, como espaço interno, à massa externa. Esta é como uma caixa
retangular, dentro da qual se desenvolve a estrutura de um vasto salão com a
planta de um decágono construído em madeira, um vasto apainelado independente,
como grande espaço dourado aberto em tribunas e guarnecido por altares e
retábulos embutidos. Não se conhece os autores da talha das naves, pois estes
eram dados por confrarias particulares. Por isto não constam da documentação da
Irmandade do Santíssimo Sacramento, administradora da obra. Esses altares foram
repintados e redourados em duas ocasiões: 1799 e 1827. Não há pois definição
precisa quanto à obra original executada por Pombal. Quanto à capela-mor foi
contratada com Francisco Xavier de Brito, mestre escultor e entalhador
português, vindo do Rio de Janeiro, onde foi o executor de uma obra-prima: a
talha da igreja da Ordem Terceira de São Francisco da Penitência, no morro de
Santo Antônio, Brito trabalhou na igreja do Pilar entre 1746 e 1754,
consequentemente em época na qual Antônio Francisco Pombal já estava
praticamente afastado da obra. Ao fim dos trabalhos da capela-mor, por sua vez.
Brito que tinha um sócio, Antônio Henrique Cardoso, veio a padecer, em 1751
"de moléstia de doença grande". A 29 de dezembro desse ano Francisco
Xavier de Brito faleceu. Diversas questões surgiram, posteriormente, quanto a
erros de construção na carpintaria do "zimbório" da capela-mor, ou
melhor, as abóbadas ogivais (em cruzeiro de ogivas) que formam o forro da
capela. Essas peças resistiram até 1770, quando tiveram de ser construídas na
sua forma atual. Foi então Finalmente dourada. A igreja muito tem sofrido
ultimamente tanto pela natureza do terreno como das intempéries. A parede do
fundo desabou e teve de ser reconstruída há alguns anos. O corpo central é
terminado pelo grande frontão, suportado por consolos e volutas que acompanha
os planos chanfrados. Tem ao alto um pequeno óculo quadrilobado seguindo a
perspectiva ascendente do outro maior. Ao fim um coroamento ondulado, terminado
pela Cruz apoiada no Crescente, símbolo lunar de Maria.
Descrição
O frontispício da igreja, reconstruído no século XIX é, muito provavelmente, uma reconstrução, na qual foi conservado o espírito da fábrica primitiva. É um magnífico trabalho de alvenaria de pedra e de cantaria. Na grande portada, em verga curva, a porta almofadada é certamente a original. As ombreiras e a verga são molduradas; a cimalha em cantaria é igualmente moldurada e encimada por ornato linear em estuque, terminado por uma pequena cruz. Acima desse ornato vê-se o óculo envidraçado, de contorno barroco e movimentado, que se abriga sob a cornija, cuja curva quebra a continuidade linear. Ladeando a portada, duas possantes colunas jônicas, em cantaria do Itacolomi, apóiam-se em pedestais-consolos barrigudos, também de cantaria; o destaque das colunas motiva o deslocamento do entablamento. Desenvolvendo-se o plano da fachada, pode-se notar o chanfrado, no qual se contém as duas janelas tradicionais ao nível do coro, com balcões de ferro. A seguir, simetricamente, a fachada volta ao plano, paralelo ao avanço da portada e parte central do frontão. Mais duas janelas idênticas às primeiras citadas, dois cunhais com capitéis toscanos, entablamento e torres, de plano quadrado, cantos chanfrados pelas pilastras, entablamento e cúpula bulbosa, de alvenaria, cuja rotundidade é acusada por ornatos de massa, em voluta; as cúpulas são encimadas por fortes coruchéus. O conjunto de cantaria, de tom dourado, faz contraste com as superfícies caiadas: esplendor da pedra e o ascetismo da cal. Assim como o frade, celebrando o divino sacrifício, traz sob o esplendor da casula bordada a ouro, e da estola recamada de pedrarias o burel e o cilício da penitência, assim no barroco repontam, sob o esplendor das matérias, aqui e ali uma pouca de cal e de pedra, como a lembrar o VanitasVanitatum. Sempre presente ao espírito do tempo. Aberta a grande e pesada porta, penetremos na igreja. Com efeito, o interior é, no todo, discrepante do exterior. O barroco é rico nesses extraordinários caprichos. Toma-nos de surpresa, transporta-nos do severo ao lírico, do recolhimento ao delírio da paixão. Essas liberdades são o fruto dessaKunstwille, essa "vontade de arte", que legitima todos os arroubos da imaginação. O homem quer fazer da Casa de Deus tudo aquilo que não ousa na sua própria morada. Ele a deseja grande, rica, deslumbrante, simbólica do Poder Divino. É o culto de Nossa Senhora, Maria, rainha dos Anjos, Mãe de Deus, Estrela da Manhã, Torre de Marfim, e tantos e tantos atributos poéticos e fervorosos d'Aquele que é a Intercessora, sempre trazendo a Misericórdia à mão de Deus, que distribui a Justiça. Compreendidas assim, nossas belas igrejas barrocas de Minas aparecem consagradas em todo seu esplendor, pela miséria e a esperança, próprias da condição humana. Melhor, então, do que descrever as minúcias do interior da igreja do Pilar, será transcrever um período do que sobre ele escreveu Lourival Gomes Batista. Desde o tapa-vento, o visitante é engolfado numa onda de ouro. A nave, escura e ampla, é toda ornada pelos seis fartos altares laterais e cercada de camarins em toda a volta. A capela-mor, ainda mais sóbria, é inteiramente dominada pelo altar do trono. Essas peças, talhadas no mais sincero barroco que se poderia esperar do lado de cá do oceano, não desprezaram as regras da boa escola de que nasceram e, se há, de toda evidência, maior desperdício de pormenores ornamentais, com largo predomínio de adornos florais denticulados que se dobram em torções freqüentes, os elementos componentes, sejam humanos ou vegetais ou arquitetônicos, ainda não se contaminaram de todo, em sua morfologia intrínseca, do ritmo do barroco nativo. Corpo e rosto de anjos são calmos e bem formados, as colunas salomônicas mostram-se ágeis e isentas daquelas adiposas roscas que noutras igrejas se vêem: tudo, enfim, parece mais regrado quando encarado em pormenor, destacado do conjunto. Não obstante, a igreja, no todo, parece mais afrontosamente rica, mais exuberante em sua vaidade, mais impositiva em sua autoridade arrogante. O milagre está no pigmento. Porque no Pilar tudo, mesmo aquilo que o óleo coloriu mais tarde, é coberto de ouro. Por fim, a Paróquia do Pilar reuniu peças de arte religiosa num pequeno museu. Vale conhecer as alfaias, prataria, objetos do culto, peças de grande qualidade.
Localização: Bairro de Ouro Preto.
Data da construção: 1731.
Autor do projeto: Sargento-mor Engenheiro Pedro Gomes Chaves.
Proprietário: Arquidiocese de Mariana.
Tombamento: Processo nº 75-T, Inscrição nº 246, Livro Belas-Artes, fls. 42. Data: 08.IX.1939.
Finalidade atual: Culto religioso.
Data da construção: 1731.
Autor do projeto: Sargento-mor Engenheiro Pedro Gomes Chaves.
Proprietário: Arquidiocese de Mariana.
Tombamento: Processo nº 75-T, Inscrição nº 246, Livro Belas-Artes, fls. 42. Data: 08.IX.1939.
Finalidade atual: Culto religioso.
Santuário da Imaculada Conceição
Histórico
Descrição
Localização: Freguesia de Antônio Dias.
Data da construção: 1727.
Data da construção: 1727.
Autor do projeto: Manuel
Francisco Lisboa.
Proprietário: Arquidiocese de Mariana.
Proprietário: Arquidiocese de Mariana.
Tombamento: Processo
n° 75-T, Inscrição n° 247, Livro Belas-Artes, fls 43. Data:08.IX.1939.
Finalidade atual: Culto
religioso
A fonte de onde foram retiradas essas informações foi o "Guia de Bens Tombados de Minas Gerais - 1984"

Olha.. Esse meu trabalho que venho fazendo para apresentar, contou com esforços e bastante determinação.. Custei a achar, e agora encontrei.. Me emocionei ao ver que conseguir encontrar algo tão detalhado, pois eu também pensei que já não ia conseguir encontrar o que estava procurando,. Já estava aceitando a derrota sobre mim para essa sexta-feira agora.. Vou apresentar com uma aluna bem inteleigente.. Achei que eu ia decepcionar ela e á todos lá na frente.. Mas, agora!!! rsrsrs só felicidade, vou estudar a noite toda sobre a Matriz Nossa Senhora do Pilar... Muita motivação para seguir em frente..
ResponderExcluirQuero deixar meus agradecimentos sinceros e de coração a todos que eu pedi ajuda..Não obtive respostas, mas agradeço pela a oportunidade de ter conhecido eles e ter pedido ajuda.. E agradeço muito a ti ,meu caro por essa grandiosa ajuda que fizeste sem saber de nada, não tens ideia do quanto salvastes minha vida hoje...Olha, hoje eu estou muito felizzzzzz mesmo!!!! Renasci na História da Arte..
Atenciosamente: Ally Ellen Schelemmer Saltzman( Stasy Saltzman)
Forte abraço e um beijo no rosto.. Grata eternamente.. Sucesso aonde estiveres!!Saúde,paz e muito amor no coração; Felicidades sempre..
Poderemos postar seu trabalho no Face HISTÓRIAS E LENDAS MUSEU DOS CONTADORES DE HISTÓRIAS E LENDAS DE OURO PRETO?
ResponderExcluirOlá! Boa tarde. Fico feliz em saber que esta publicação serviu para o seu trabalho. Podem postar sim. Abração.
ExcluirOlá! Boa tarde. Fico feliz em saber que esta publicação serviu para o seu trabalho. Podem postar sim. Abração.
ExcluirEste comentário foi removido pelo autor.
ResponderExcluirSeria interessante postar as fontes de tamanho agregado de informações que não vieram do além. Para fins de trabalho acadêmico eu não poderia simplesmente referenciar um blog, sem querer deslegitimar a ferramenta maravilhosa que pode sê-lo, nem as pessoas que o escrevem.
ResponderExcluirA igreja do Rosário em Ouro Preto ,contou como empreiteiro José Velloso do Carmo? Alguma pesquisa sobre o assunto?
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