sábado, 6 de outubro de 2012


Capela de Nossa Senhora do Rosário dos Homens Pardos (Capela do Padre Faria)
Histórico
O nome da Capela do Padre Faria pelo qual esta capela é chamada, não corresponde à verdade. O Padre João de Faria de Fialho não foi, com efeito, o construtor deste templo, fundado, segundo a tradição, para abrigar a imagem de Nossa Senhora do Parto, que se encontrava numa pequena capela no primitivo acampamento de Bom Sucesso, e que foi profanada pelo assassinato de um padre que rezava missa. Em 1740, abrigou a Confraria dos Brancos do Rosário, expulsa da grande Irmandade do Rosário pela maioria dos pretos. Estes, por sua vez, construíram a igreja de Santa Efigênia. Embora não haja documento algum sobre a fundação, há duas datas: uma, 1750 gravada no sino, e outra, 1758 na grande cruz pontifícial externa à capela.
Descrição

Engastada em pequena elevação dentro de um grande vale, a situação dessa capela valoriza a sua elegante simplicidade. Formando um primeiro plano com o acesso ao pequeno adro, uma grande cruz papal ou pontificial, de três braços, esculpida em arenito e com a data 1756 gravada; ergue-se ao lado dos degraus rústicos. O frontispício é liso e simples, dentro do esquema usual das capelas mineiras: portada e duas janelas laterais rasgadas, com balaustradas. Não se conhece explicação para a origem da cruz papal nesta capela. Há ainda externamente uma pequena torre sineira, e um sino de bronze, com a imagem de Nossa Senhora do Rosário e a data 1750; essa torre é coberta com telhado em pirâmide galbada. Voltando à capela, é construída em alvenaria de pedra, com elementos de cantaria, como a portada, encimada por cimalha rica e com porta almofadada; as duas janelas enquadradas de cantaria, com pequena cimalha, óculo circular na empena e cunhais de cantaria com coruchéus. A cobertura é em telhado de duas águas e no vértice da empena, há uma cruz de pedra sobre pequena base. O interior apresenta dois esplêndidos altares e retábulos dourados, de estilo Dom João V, na nave, cujo teto é decorado com uma pintura representando a coroação da Virgem, cercada pelos anjos e nos quatro painéis da parede cenas da vida de Maria. Diogo de Vasconcellos, no seu estilo florido, nos descreveu em 1911 a capela-mor: "Não é mentira dizer que o altar-mor desta capela, é a jóia mais rica da cidade, para não me levarem em conta do exagerado, compará-lo a uma chapa de ouro aberta por anjos em maravilhas de talha". (Diogo de Vasconcellos. A Arte em Ouro Preto, Edições da Academia Mineira, 1934). O autor continua, dando uma longa e entusiástica descrição da capela, e também propondo uma explicação para a cruz pontifícial externa. O papa que reinava no momento, era Pio VI, que concedeu através de três bulas, privilégios e graças especiais à capela, o que faz crer que o cruzeiro tenha sido erguido para comemorar essa grande distinção. A peça aliás é de uma execução perfeita: da base ao topo da haste principal mede 8,52m de altura, e todos os trabalhos de talha e encaixes são impecáveis. Há mais de dois séculos lá se mantém até hoje. 
Localização: Bairro de Antônio Dias ou do Padre Faria.
Data da construção: Início do século XVIII.
Autor do projeto: *
Proprietário: Arquidiocese de Mariana.
Tombamento: Processo nº 75-T, Inscrição 249, Livro Belas-Artes, fls. 43. Data: 08.IX.1939.
Finalidade atual: Culto religioso.

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