Capela de Nossa Senhora do Rosário
dos Homens Pardos (Capela do Padre Faria)
Histórico
O nome da Capela do Padre Faria pelo qual esta capela é
chamada, não corresponde à verdade. O Padre João de Faria de Fialho não foi,
com efeito, o construtor deste templo, fundado, segundo a tradição, para
abrigar a imagem de Nossa Senhora do Parto, que se encontrava numa pequena
capela no primitivo acampamento de Bom Sucesso, e que foi profanada pelo
assassinato de um padre que rezava missa. Em 1740, abrigou a Confraria dos
Brancos do Rosário, expulsa da grande Irmandade do Rosário pela maioria dos
pretos. Estes, por sua vez, construíram a igreja de Santa Efigênia. Embora não
haja documento algum sobre a fundação, há duas datas: uma, 1750 gravada no
sino, e outra, 1758 na grande cruz pontifícial externa à capela.
Descrição
Engastada
em pequena elevação dentro de um grande vale, a situação dessa capela valoriza
a sua elegante simplicidade. Formando um primeiro plano com o acesso ao pequeno
adro, uma grande cruz papal ou pontificial, de três braços, esculpida em
arenito e com a data 1756 gravada; ergue-se ao lado dos degraus rústicos. O
frontispício é liso e simples, dentro do esquema usual das capelas mineiras:
portada e duas janelas laterais rasgadas, com balaustradas. Não se conhece
explicação para a origem da cruz papal nesta capela. Há ainda externamente uma
pequena torre sineira, e um sino de bronze, com a imagem de Nossa Senhora do
Rosário e a data 1750; essa torre é coberta com telhado em pirâmide galbada.
Voltando à capela, é construída em alvenaria de pedra, com elementos de
cantaria, como a portada, encimada por cimalha rica e com porta almofadada; as
duas janelas enquadradas de cantaria, com pequena cimalha, óculo circular na
empena e cunhais de cantaria com coruchéus. A cobertura é em telhado de duas
águas e no vértice da empena, há uma cruz de pedra sobre pequena base. O
interior apresenta dois esplêndidos altares e retábulos dourados, de estilo Dom
João V, na nave, cujo teto é decorado com uma pintura representando a coroação
da Virgem, cercada pelos anjos e nos quatro painéis da parede cenas da vida de
Maria. Diogo de Vasconcellos, no seu estilo florido, nos descreveu em 1911 a
capela-mor: "Não é mentira dizer que o altar-mor desta capela, é a jóia
mais rica da cidade, para não me levarem em conta do exagerado, compará-lo a
uma chapa de ouro aberta por anjos em maravilhas de talha". (Diogo de
Vasconcellos. A Arte em Ouro Preto, Edições da Academia Mineira, 1934). O autor
continua, dando uma longa e entusiástica descrição da capela, e também propondo
uma explicação para a cruz pontifícial externa. O papa que reinava no momento,
era Pio VI, que concedeu através de três bulas, privilégios e graças especiais
à capela, o que faz crer que o cruzeiro tenha sido erguido para comemorar essa
grande distinção. A peça aliás é de uma execução perfeita: da base ao topo da
haste principal mede 8,52m de altura, e todos os trabalhos de talha e encaixes
são impecáveis. Há mais de dois séculos lá se mantém até hoje.
Localização: Bairro de Antônio Dias ou do Padre
Faria.
Data da construção: Início do século XVIII.
Autor do projeto: *
Proprietário: Arquidiocese de Mariana.
Tombamento: Processo nº 75-T, Inscrição 249, Livro Belas-Artes, fls. 43. Data: 08.IX.1939.
Finalidade atual: Culto religioso.
Data da construção: Início do século XVIII.
Autor do projeto: *
Proprietário: Arquidiocese de Mariana.
Tombamento: Processo nº 75-T, Inscrição 249, Livro Belas-Artes, fls. 43. Data: 08.IX.1939.
Finalidade atual: Culto religioso.


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